segunda-feira, janeiro 27, 2014

Das Praxes da Lusófona

Parece que agora é moda ser anti-praxe por causa da infelicidade que se passou no Meco.

Já li tanta coisa que o assunto (o da anti praxe, não das pessoas que perderam a vida) já me aborrece. Sou sincera. Já ouvi que a praxe é uma tradição satânica, que é uma organização secreta, uma espécide de bullying, que quem lá andam são os ignorantes, que a Universidade Lusófona devia de ser fechada, que os meninos andam a brincar com o dinheiro dos pais, que quem anda nessas coisas são atrasados, que são todos aqueles que lá andam um bando de inúteis e coiso e tal.

Para começar: eu andei na Lusófona, fui praxada na Lusófona, e quem me derá a mim voltar a ser caloira na Lusófona. Não percebem? Volto a explicar: adorei as minhas praxes. É muito melhor ser caloiro, do que andar a praxar. A diversão é bem melhor, conhece-se pessoas novas, conhece-se um mundo novo. Um mundo que não têm nada a ver com o secundário, um mundo diferente, de orgulho. O orgulho de ser filha de um pai que me conseguiu colocar na faculdade, no curso que eu queria. O orgulho de ouvir o meu irmão dizer "a minha mana entrou para a faculdade". O orgulho de ouvir a minha mãe ligar para a minha madrinha "a tua afilhada hoje está linda toda pintada" mas no fundo a rir-se de felicidade. 

Há praxes e praxes. Da mesma maneira em que existem pessoas de esquerda e de direita, lagartos, benfiquistas e tripeiros, aqueles que gostam de branco e de preto. Nunca caiam no erro de colocar tudo no mesmo saco. Coisa tão comum e que engana tanto. Se calhar até fui eu que tive sorte no meu ano. Não sei. Das coisas que sempre me foram ditas "podem dizer não quando quiserem, ninguém obriga nada a ninguém". Não me senti humilhada, nem nada dessas coisas. Como disse, se calhar tive sorte.

Das pessoas que morreram, não sei se foi praxe ou não (no entanto duvido, devido ao facto de serem alunos já com a queima das fitas), só sei que se perderam vidas. E é triste. Para os pais, para os amigos, para os namorados/as, para a comunidade de alunos, para a vida. É triste. 

Lembrem-se que isto é uma democracia mas quem manda aqui sou eu. Nada de insultos nos comentários, pode-se discutir o assunto, sem ofender ou ser mal educado.

2 comentários:

  1. Confesso que também já me enerva um bocadinho dizerem mal das praxes. Também fui caloira, praxei e fui praxada, sempre houve essa liberdade de escolha, a possibilidade de nos recusarmos a fazer algo, mas também nunca vi "obrigarem" a fazer algo que merecesse essa recusa.
    Uma das coisas que também não compreendi desta história toda foi o facto de eles estarem a ser praxados e estarem trajados, sempre aprendi que depois da queima das fitas, depois de ter o traje, do traçar da capa, não podíamos ser praxados...
    A verdade é que, independentemente desta história, não é a primeira vez que se fala de atitudes menos correctas nas praxes, acredito que haja pessoas que queiram abusar do poder que têm, agora pergunto-me se a culpa é das praxes ou das pessoas. Na minha opinião, a culpa é das pessoas, simplificando, há pessoas más em todo o lado, as praxes não são excepção e, apesar de estarem sujeitas a regras, como em tudo, há quem as quebre, ninguém pode antecipar comportamentos deste género e por mais que haja controle, como a minha mãe diz, "quem quer fazer mal, arranja sempre forma".

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  2. concordo totalmente! só sabe o que são quem realmente passou por elas! saudades desses tempos de caloira!

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escreve... vá lá... não custa nada... ;)