sexta-feira, março 04, 2011

Os "padrinhos", melhor dizendo, talvez, as cunhas...


Eu tinha uma muito boa. Quem convive comigo desde a infância recorda-se de eu falar sempre da mesma empresa. A TAP. Tinha uma cunha muito boa, diga-se. O meu pai foi colega de carteira da altura da escola, de um dos funcionários da TAP da área dos Recursos Humanos. Este homem, apenas e só, conheceu a TAP. Colocou lá a trabalhar imensaaas pessoas. Sempre me lembro do meu pai dizer "Filha, foi o X que pôs lá aquele rapaz a trabalhar. E está a efectivo. Espero que também consiga para ti." Digamos que sempre criei para mim aquela ideia de que iria para lá trabalhar. Eu sei que era cunha, mas não interessava. Desde que eu entrasse o resto era por minha conta. E eu tinha a certeza que a partir daí dava conta do assunto. Nos últimos anos de faculdade comecei a prestar adoração ao senhor. Basicamente, fazer aquilo que eu sabia que os outros faziam. Pois... ainda hoje continuamos à espera disso.  Nada. Chapéu. Rien. O meu pai culpou-se, ainda hoje o faz, que devia ter pago mais jantares ao homem, que devia ter feito isto e aquilo. Pois... eu não acho que seja assim. Acho que o homem era mesmo estúpido. Que se quisesse o teria feito. O meu pai não tem a culpa. Quem tem a culpa são as pessoas que se compram por este poder de por X, Y e Z na empresa A. Ridículo e injusto!

Por isso e por muito mais, odeio cunhas. Odeio os filhinhos da mamã e do papá que tem bons cargos e não os merecem, porque não fazem se dar ao respeito no cargo que têm. Depois existem os outros que têm, vão e conseguem desempenhar um excelente trabalho. E depois os outros, que procuram, encontram-se desempregados, até pelo o ordenado mínimo trabalhavam que são capaz de muita coisa para terem que ambicionam. Pois, mas esses sou eu. E outros, muitos outros.

E sim, vivemos num país onde o currículo, muitas vezes, são um monte de letras em cima umas das outras. Que nada disso conta.

6 comentários:

  1. Esse titulo fez-me lembrar outro tópico mas adiante :P
    acredita, infelizmente vivemos numa sociedade em que o factor C está lá no topo dos topos do CV !!
    Enfim

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  2. LOL

    Eu não tinha uma, tinha duas cunhas na TAP! (uma delas família directa) E não entrei... Eu fiz os testes todos para assistente de bordo mas no final não passei porque usava lentes de contacto - versão oficial. Havia uma boazona na lista e entrou a boazona! A mim faltavam-me mamas grandes... :-)

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  3. De facto se vê muita injustiça, bolas! :S

    Força! ;)

    Kiss

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  4. Ai minha querida como me revi no que escreveste.
    Os Cv só servem para fazer efeito, agora alguém que os lê e os avalia são um caso raro... :/

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  5. eu tenho orgulho em dizer que tive vários empregos e sempre por mérito próprio! Odeio cunhas!

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  6. Também passei por um par de vezes em que tinha algumas cunhas familiares que me poderiam desencalhar em alguns momentos da minha vida. Mas qual quê... Também não forcei nada. Apenas falei uma vez. Querem ajudar? Ajudam. Não querem? Paciência. Alguma coisa havia de conseguir. E, pelo menos até ao final de Junho, estou garantida. Depois é continuar a bater às portas, tentar lançar muito charme nas pessoas certas e rezar aos santinhos para que uma porta se abra. Ou uma janela, que já ajuda qualquer coisinha... E depois há aqueles que nascem com o rabinho virado para a lua e têm sorte sempre. Porque tem um vizinho que não sei quê, um tio que conhece não sei quem, uma tia que trabalha não sei onde e tudo lhes corre bem. É injusto? Muito. Mas a vida é mesmo assim e não posso deixar-me abater por estas coisas.

    Beijinhos.

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escreve... vá lá... não custa nada... ;)